Aonde vamos parar?

Um desses dias, estava eu, indo resolver algum problema no banco perto aqui da minha casa. Passava do meio-dia. Era aquele horário de troca de turno nas escolas, e já percebi que no meu bairro há bastantes instituições de ensino, eu caminhava pensando alguma bobagem para variar. Quando de repente, numa das muitas conversas que me rodeavam, escuto a palavra “processar”.
Até ai nada de anormal, já que hoje em dia “processar” é uma constante. Acho que já existe alguém até vivendo de processar os outros ou as coisas (sem ser os advogados, lógicos). Tipo: o cara fica torcendo para alguém colocar o nome dele no SPC, mesmo ele tendo ficha limpa, e pronto, lá vai processo. Ou então, o cidadão começa a abusar os outros até receber um xingamento. Pronto, processa o outro por calúnia. E por ai vai... E olhe que nossa Justiça é lenta. Imaginem se fosse, pelo menos, parecida com a americana. Ai é que neguinho estava feito mesmo.
Mas, voltando à rua. O que me estranhou ao ouvir a palavra ”processar” é que ela veio de uma voz muito infantil. Levantei a cabeça, procurei de onde teria saído aquele som e me surpreendi. À minha frente, uma mãe levava sua pequenina à escola. A menininha deveria ter uns 7 ou 8 anos de idade.
A conversa dela com a mãe era sobre a novela das sete, Cobras e Lagartos, da qual eu também aprecio e por isso observar mãe e filha conversando ficou ainda menos proibitiva. A pequena noveleira falava à mãe, que pesquisara sobre os próximos acontecimentos da trama, mas a Globo não fornecera todas as informações.
- Eu tô muito curiosa mãe. Fui ao site para procurar - Conta a menina, já num tom de quem está entrando em desespero.
- Ah, foi? E ai? - Pergunta a mãe, com um jeito de quem não faz a mínima idéia de quem seja Foguinho.
- Só diz o que vai acontecer até a próxima semana, num diz o que a Leona vai fazer.
- É assim mesmo, meu amor - Tenta consolar a paciente mãe.
- Ai que raiva – solta a menina, já sem nenhuma paciência. – Eu vou processar a Globo. Eu vou processar a Globo – repente em tom descontente.
A mãe, como não poderia ser diferente cai na gargalhada, e não fala nada. Eu, sendo a Globo tomava cuidado. Do jeito que essa criançada de hoje em dia consegue o que quer dos pais, é melhor ficar atenta a um possível ataque mirim. Pode até sobrar, para o pobre do Foguinho.
