sexta-feira, agosto 11, 2006

Cartas na mesa


Era outubro de 2005. Meu mês de férias foi dividido entre São Paulo e Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa vim especificamente para assistir ao Wilco, que fez naquela edição do festival um show perfeito, mas isso é outro assunto.

Cheguei uma semana antes do evento, para aproveitar as belezas da cidade do Tom. Hospedei-me em frente ao planetário da Gávea, na casa da intrépida Lisboa, então carioca. Veio por assuntos literários. Na ocasião, seu companheiro, o destemido Janga, lhe fazia visita. Com mais alguns conterrâneos formamos o grupo de pernambucanos prontos para prestigiar Jeff Tweddy e banda.

Pois bem. Nesse clima de esperar o Tim Festival iniciar, fomos aproveitando os serviços oferecidos pelas noites cariocas. Numa dessas, fomos parar no Circo Voador, famosa casa de espetáculos fluminense. Por meio de alguém, que não lembro, ficamos sabendo de um boa banda que lá se apresentaria.

Como bons turistas pirangueiros, trocamos o passeio de bonde por Santa Teresa para entrarmos sem pagar no Circo, o que fez com que antes das 19h já estivessemos nas dependências da casa. Na verdade foi uma troca e tanto. O que economizamos na entrada, revertemos em chopp, muito chopp. Entre chopps, porrinhas e amendoins, esperamos etilicamente a banda que nos levou até lá começar.

Canastra entoou os primeiros acordes mais de meia-noite. Daí pra frente é uma banda que só vendo para entender. O show é contagiante, daqueles que dá vontade de não parar de dançar. Era pelo menos isso que eu pensava no dia seguinte. Até questionarmos, Eu, Jangamen e Ju, a competência da banda com a quantidade de álcool ingerida. Opitamos pela qualidade da banda. O resto virou história. Serginho como um namorado ligado, presenteou sua amada com o cd um natal depois – se não me engano, pois é uma lenda das grandes a história desse presente.

Já eu fiquei com aquela pulga na orelha. Será que aquela banda era boa mesmo ou estavamos muito bêbados? Desde que vim morar no Rio, quis tirar a prova. Depois que aqui cheguei, já fui a três shows do Canastra. Certifiquei-me que eles são realmente bons. Não poderia ser diferente. É muito difícil um banda cujo um dos guitarristas toque com uma Guild antigona e outro tenha uma Gretsh verde linda, seja ruim. Já vi o show bêbado e sóbrio, não há o que temer. Diversão garantida. É dessas bandas que Recife acolheria e os caras virariam fregueses da cidade.

Antes de ontem vi mais um show. Exatamente da forma como vi o primeiro. Foi na festa de lançamento da nova edição da revista OutraCoisa. Uma BL miserável. Já dá para imaginar no que deu. Mais uma vez me lembrei dos meus companheiros daquela noite de outubro, guardada no passado. Depois daquele dia, todos os shows de Canastra me lembram o casal amigo que me fez companhia. O show de ontem foi tão impactante quanto aquele primeiro, só que sem Ju e Serginho. Fiquei pensando em não ir mais aos shows do Canastra. Guardá-los em algum lugar na pasta da memória de 2005-06.

Ai lembrei que naquela viagem, eu, Serginho e Lisboa fizemos uma promessa, que se houver um show de Sr. Macca no Rio, nós três iremos juntos, haja o que houver. Então, já faço meu primeiro pedido aos produtores que vierem promover esse evento. Coloquem Canastra como banda de abertura. Eu, Ju e Serginho, pelo menos, agradeceremos muito.