Chutando vícios
Confesso que sou um cara de vícios. Para me viciar em alguma coisa é como quem vai ali e volta. Por isso, procuro tomar o máximo de cuidado em tudo que me envolvo. O medo é meu freio. Já tenho vícios bastantes. Dessa maneira, ter tempo livre em época de Copa é pior coisa que pode acontecer. Fui, digamos assim, abduzido pelo fervor do Mundial. Perdi toda minha racionalidade e ponderação, confesso. Entrei em bolões e agora torço desesperadamente para Argentina, Alemanha e Inglaterra. Três jogos por dia, significa um mínimo de seis horas à frente da T.V.
Como vou fazer quando tudo isso acabar? Isso é uma covardia me perdoem. Estão enchendo minhas veias de emoções futebolísticas para cortarem num rompante único. Como viverei depois do dia 9 julho? Sem poder acordar às 10h para ver qualquer jogo que seja (aqui méritos para o bolão, que fará Irã e Angola virar um clássico mundial). Amigos, vitória nos dois bolões que participo são dois meses de aluguel pago, como não torcerei para Argentina?
Perdoem-me os puristas, aqueles, que como fui um dia, ainda torcem pelo time mais fraco. Perdoem-me também os racionais. Eu consigo esquecer todos os problemas do mundo durante o mês de Copa. O vício me faz querer se encharcar de notícias. Quero o dia a dia, quero o álbum de figurinhas. Realmente me entreguei ao capital nesse mês. Consumo como um doente terminal essa droga chamada futebol. No fim das contas não vou gritar sozinho ''é campeão''.
Certo que não ligo muito para os enfeites e coisas assim e pelo excesso de patriotismo. Mas já que tem de ser assim, que outro evento faz a pessoa ter papo até com o tinhoso? E ainda bem que nossa Nação, por mais superficial que isso possa parecer, não queira saber de outra coisa nessa época. Imaginem se o Brasil fosse o país dos 100 metros livres, nosso patriotismo e fanatismos iriam durar míseros nove segundos. Salve o futebol!!!!

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