terça-feira, fevereiro 06, 2007

Mutantes, Vivo Rio, 03/02

Merecimento. Essa é a palavra que pode melhor definir o recente retorno dos Mutantes às atividades. Chamem de uma volta caça-níquel. Digam que eles não estão com a formação clássica – com Rita Lee nos vocais e o produtor Liminha no Baixo. Falem que Arnaldo Baptista não é mais aquele tecladista virtuoso. Que Dinho Leme está com as baquetas enferrujadas. Ou que a nova cantora é Zélia Duncan. Está legal, eu aceito o argumento. Mas, novamente, eles merecem.

Os Mutantes merecem um Vivo Rio quase cheio em pleno mês de fevereiro, quando tudo cheira a carnaval. Eles merecem celebrar sua volta à Cidade Maravilhosa, por serem (ou terem sido) a banda de rock mais importante da música brasileira e uma das mais importantes do gênero. Vá perguntar a Beck Hansen. Eles merecem uma adoração cultivada durante os mais de 30 anos na qual a banda esteve acabada. É possível afirmar que a adoração em volta do quinteto hoje, é maior do que no tempo em que eles escreviam a História. E os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista merecem mais do que ninguém. Rita Lee conseguiu ter sua carreira alavancada e reconhecida além de qualquer vinculação. Eles não, ficaram confinados no hall dos gênios a serem descobertos pós-morte. Sorte nossa que eles ainda foram descobertos a tempo.

Então que seja para ganhar dinheiro, que seja para satisfazer egos, não só eles, mas como também o público que não teve a oportunidade de vê-los no auge do Tropicalismo, merece Mutantes de volta. Embora, quem esteve no show viu que não é bem assim. Não há muito isso de oportunismo nesta volta. O, agora, quarteto apoiado por uma superbanda transpassa alegria para o público. É notória a emoção até dos músicos de apóio. O que transforma o espetáculo em uma grande celebração à música.

As canções estão muito próximas de suas versões originais. O grande mérito disso é, sem dúvida, do mais novo dos irmãos Dias, o guitarrista Sérgio. Ele é o grande maestro em palco. Apresenta a banda, elogia os músicos, faz juras de amor ao irmão e à nova integrante e nas horas vagas mostra toda habilidade de quem, ao lado de Lanny Gordin, foi ‘a’ guitarra do Tropicalismo.

O repertório é a mistura de clássicos (Balada do Louco, Ando Meio Desligado, Baby, Panis et Circenses) com as músicas mais psicodélicas (Ave Genghis Khan, Ave Lúcifer, Dia 36, Top Top). A abertura com a trovadoresca Dom Quixote, seguida de Caminhante Noturno já é suficiente para espantar a desconfiança dos mais xiitas. Percebe-se que está quase tudo lá: o humor, a irreverência, a criatividade, o psicodelismo e o rock’n roll estampado na inesperada A Hora e a Vez do Cabelo Crescer. O que falta é substituído por simpatia e admiração.

É o caso das limitações de Arnaldo Batista. Seu teclado é baixo, muito pouco perceptível. Sua voz é debilitada pelos seus problemas motores. Mas, a simpatia e admiração que ele transmite, faz com que todos saibam que estão diante de um gênio. Como em Minha Menina, quando ele, além de entrar errado num dos versos, ainda esqueceu a letra. Aos poucos, num improviso sorrateiro, ele foi se encontrando e criando uma nova letra culminando num êxtase da platéia e dos companheiros de banda.

Já Zélia é, na verdade, uma grande premiada. Às vezes, tem-se a impressão de que ela ganhou um concurso, e pôde ver o show do palco de tão feliz que está. E é, com certeza, uma menina em meio aos seus ídolos. Ela tem seus méritos também. O principal é o de em nenhum momento tentar ser Rita Lee, nem em gestos, nem em som. As vozes mais agudas ficam a cargo da backing vocals, Esmérya Bulgari. Músicas como Fuga nº2 e Baby não ficam tão comprometidas na voz de Zélia. É importante lembrar que a própria Rita Lee, não consegue cantar hoje, o que cantou no passado.

Depois de mais de uma hora e meia de show, um bis com Bat Macumba e Panis et Circense, que encerra de uma forma indescritiva. Criando um clima que só estando no local para saber. E uma sensação de que ninguém até hoje consegue fazer algo parecido. O público ainda passou uns dez minutos na expectativa de um segundo bis, que não aconteceu. Porém, melhor não ter tido mesmo. O show termina no ponto alto da parábola, no lugar onde eles mais merecem.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Na Brodagem

Rapaz, isso aqui tá um pó só.

Enquanto eu não tenho tempo de atualizar direito, segue o link para minha primeira matéria em parceria. Na verdade, é um depoimento conjunto com meu irmão Daniel. Se tiver curiosidae clica aqui.

sexta-feira, outubro 13, 2006

And the Nobel goes to...

Essa premiação do prêmio Nobel da Paz é sempre uma coisa digna de comentário. As pessoas que ganham o prêmio são as mais ímpares possíveis, assim como os motivos para as escolhas. E muitas vezes a comissão julgadora pisa na bola, como foi quando premiaram o vietinamita Le Duc Tho por ele ter "conquistado" a paz no seu país (o Vietnã do Norte) com o país ainda em guerra com os yankees. O citado governante, sensatamente, recusou a premiação.

Mas, o Nobel da Paz pode nos proporcionar uma boa reflexão de como anda e dos passos da nossa sociedade globalizada e capitalista. Acompanhem. Martin Luther King ganhou em um tempo de extrema divisão racial nos EUA, certo? Os negros hoje continuam a sofrer preconceito, mas já existe um delicado véu que encobre essas coisas.

Em 1990, Mikhail Gorbachov, ganhou pela abertura política e economica da ex-União Soviética, ou seja, portas abertas para o livre comércio. Ah, você acha que foi pelo fim da Guerra Fria? Nas casas Bahia há umas cadeiras ótimas para quem espera Papai Noel.

O mais recente vencedor do prêmio Nobel, mostra mais uma vez que a congratulação tem uma certa caidinha para nossos amigos do sistema. O banalês Muhammad Yunus, um banqueiro que inventou o microcrédito sem a necessidade de comprovação de garantia, mostra que é fácil ser banqueiro com o Nobel por trás (ops). O banqueiro gente boa vai ganhar um milhão de dólares, pela sua "luta por uma economia mais justa"(???).

Assim é fácil criar microcréditos sem necessidades de comprovação, né? Neguinho sai emprestando 100 conto, sem saber se volta. Empresta para duas dúzias. gasta ai uns 1200 e recebe um milhão pela boa ação, ôh que legal!

Sugiro que todos comecem a fazer o mesmo, podem depositar 100 mil reis na minha conta. Eu não prometo que devolvo. Mas vocês vão estar ajudando a paz mundial, uma economia mais justa e podem no final de tudo faturar D$ 1 mi. Vamos lá pessoal , ajuda-me.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Aonde vamos parar?



Um desses dias, estava eu, indo resolver algum problema no banco perto aqui da minha casa. Passava do meio-dia. Era aquele horário de troca de turno nas escolas, e já percebi que no meu bairro há bastantes instituições de ensino, eu caminhava pensando alguma bobagem para variar. Quando de repente, numa das muitas conversas que me rodeavam, escuto a palavra “processar”.

Até ai nada de anormal, já que hoje em dia “processar” é uma constante. Acho que já existe alguém até vivendo de processar os outros ou as coisas (sem ser os advogados, lógicos). Tipo: o cara fica torcendo para alguém colocar o nome dele no SPC, mesmo ele tendo ficha limpa, e pronto, lá vai processo. Ou então, o cidadão começa a abusar os outros até receber um xingamento. Pronto, processa o outro por calúnia. E por ai vai... E olhe que nossa Justiça é lenta. Imaginem se fosse, pelo menos, parecida com a americana. Ai é que neguinho estava feito mesmo.

Mas, voltando à rua. O que me estranhou ao ouvir a palavra ”processar” é que ela veio de uma voz muito infantil. Levantei a cabeça, procurei de onde teria saído aquele som e me surpreendi. À minha frente, uma mãe levava sua pequenina à escola. A menininha deveria ter uns 7 ou 8 anos de idade.

A conversa dela com a mãe era sobre a novela das sete, Cobras e Lagartos, da qual eu também aprecio e por isso observar mãe e filha conversando ficou ainda menos proibitiva. A pequena noveleira falava à mãe, que pesquisara sobre os próximos acontecimentos da trama, mas a Globo não fornecera todas as informações.

- Eu tô muito curiosa mãe. Fui ao site para procurar - Conta a menina, já num tom de quem está entrando em desespero.

- Ah, foi? E ai? - Pergunta a mãe, com um jeito de quem não faz a mínima idéia de quem seja Foguinho.

- Só diz o que vai acontecer até a próxima semana, num diz o que a Leona vai fazer.

- É assim mesmo, meu amor - Tenta consolar a paciente mãe.

- Ai que raiva – solta a menina, já sem nenhuma paciência. – Eu vou processar a Globo. Eu vou processar a Globo – repente em tom descontente.

A mãe, como não poderia ser diferente cai na gargalhada, e não fala nada. Eu, sendo a Globo tomava cuidado. Do jeito que essa criançada de hoje em dia consegue o que quer dos pais, é melhor ficar atenta a um possível ataque mirim. Pode até sobrar, para o pobre do Foguinho.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Tudo de novo

Com a chegada do guia eleitoral na tevê, começa mais uma eleição no território brasileiro. Sem nada de novo. Aliás, tudo, irritantemente, imutável. Os mesmos discursos, as mesmas propostas, as mesmas piadas. Nem engraçada essa eleição deve ser. A descredibilidade política do nosso país chegou a um ponto que ninguém tem mais saco para discutir ou ver propostas.

O guia, como sempre, deve influenciar muito pouco na decisão das pessoas. Quem já tem seus candidatos, não mudam. Os que não sabem vão se decidir ao longo de todo um processo. E os discrentes, vão aproveitar para jantar enquanto a novela das oito não começa.

Existirão aqueles, que assistirão ao guia para listar o mais inusitado show de horrores. Quem num lembra, que toda eleição há uns Zés Manés que querem os seus 15 segundos de fama. Para os caçadores de bizarrices vai a única diferença dessa eleição para as passadas. Vamos presenciar a primeira vez que o Youtube será usado durante um período eleitoral.

Preparem-se para receber todo tipo de e-mail com os vídeos mais ridículos, loucos, engraçados, o que seja. Lembro, que já na última eleição para vereadores e prefeitos recebi uma quantidade enorme de santinhos bizarros de candidatos de todos os cantos do país. Quem num lembra de um gordinho, cotó numa cadeira de rodas??

Agora, serão os vídeos que vão agitar a chatice que se tornou uma disputa democrática eleitoral no país. O que isso vai ajudar no processo eleitoral, eu não faço a mínima idéia. Mas será provável que mesmo sem humor, até para esse tipo de coisa na política, consigamos dar umas boas gargalhadas. E queimar uns filmes alheios.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Cartas na mesa


Era outubro de 2005. Meu mês de férias foi dividido entre São Paulo e Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa vim especificamente para assistir ao Wilco, que fez naquela edição do festival um show perfeito, mas isso é outro assunto.

Cheguei uma semana antes do evento, para aproveitar as belezas da cidade do Tom. Hospedei-me em frente ao planetário da Gávea, na casa da intrépida Lisboa, então carioca. Veio por assuntos literários. Na ocasião, seu companheiro, o destemido Janga, lhe fazia visita. Com mais alguns conterrâneos formamos o grupo de pernambucanos prontos para prestigiar Jeff Tweddy e banda.

Pois bem. Nesse clima de esperar o Tim Festival iniciar, fomos aproveitando os serviços oferecidos pelas noites cariocas. Numa dessas, fomos parar no Circo Voador, famosa casa de espetáculos fluminense. Por meio de alguém, que não lembro, ficamos sabendo de um boa banda que lá se apresentaria.

Como bons turistas pirangueiros, trocamos o passeio de bonde por Santa Teresa para entrarmos sem pagar no Circo, o que fez com que antes das 19h já estivessemos nas dependências da casa. Na verdade foi uma troca e tanto. O que economizamos na entrada, revertemos em chopp, muito chopp. Entre chopps, porrinhas e amendoins, esperamos etilicamente a banda que nos levou até lá começar.

Canastra entoou os primeiros acordes mais de meia-noite. Daí pra frente é uma banda que só vendo para entender. O show é contagiante, daqueles que dá vontade de não parar de dançar. Era pelo menos isso que eu pensava no dia seguinte. Até questionarmos, Eu, Jangamen e Ju, a competência da banda com a quantidade de álcool ingerida. Opitamos pela qualidade da banda. O resto virou história. Serginho como um namorado ligado, presenteou sua amada com o cd um natal depois – se não me engano, pois é uma lenda das grandes a história desse presente.

Já eu fiquei com aquela pulga na orelha. Será que aquela banda era boa mesmo ou estavamos muito bêbados? Desde que vim morar no Rio, quis tirar a prova. Depois que aqui cheguei, já fui a três shows do Canastra. Certifiquei-me que eles são realmente bons. Não poderia ser diferente. É muito difícil um banda cujo um dos guitarristas toque com uma Guild antigona e outro tenha uma Gretsh verde linda, seja ruim. Já vi o show bêbado e sóbrio, não há o que temer. Diversão garantida. É dessas bandas que Recife acolheria e os caras virariam fregueses da cidade.

Antes de ontem vi mais um show. Exatamente da forma como vi o primeiro. Foi na festa de lançamento da nova edição da revista OutraCoisa. Uma BL miserável. Já dá para imaginar no que deu. Mais uma vez me lembrei dos meus companheiros daquela noite de outubro, guardada no passado. Depois daquele dia, todos os shows de Canastra me lembram o casal amigo que me fez companhia. O show de ontem foi tão impactante quanto aquele primeiro, só que sem Ju e Serginho. Fiquei pensando em não ir mais aos shows do Canastra. Guardá-los em algum lugar na pasta da memória de 2005-06.

Ai lembrei que naquela viagem, eu, Serginho e Lisboa fizemos uma promessa, que se houver um show de Sr. Macca no Rio, nós três iremos juntos, haja o que houver. Então, já faço meu primeiro pedido aos produtores que vierem promover esse evento. Coloquem Canastra como banda de abertura. Eu, Ju e Serginho, pelo menos, agradeceremos muito.

terça-feira, agosto 08, 2006

O.B.S.R - A Praga

Aqui no Rio existe uma coisa insuportável. Em qualquer bairro, onde se concentre (muita) pessoa e (muito) comércio juntos, há a cada metro quadrado alguém distribuindo papéis, panfletos, flyers, etc... É uma coisa chata mesmo. Se você parasse para apanhar cada um que lhe oferecem, daria para, tranqüilamente, abrir uma fábrica de papel reciclável.

O conteúdo dos papeizinhos vai desde: como emagrecer sem fazer esforço ou como ficar rico sem trabalhar até uma festa rave no interior do interior do Rio de Janeiro.

Uma dica, a cada rua que você entrar, mentalize os pontos onde os entregadores estão. Geralmente, eles ficam quietos, como quem não quer nada. Na hora de pouco movimento, encostam-se na parede com um das pernas dobradas e o pé sujando o muro. Colocam as mãos no bolço da jaqueta – para esconder o produto. E geralmente estão de boné.

Quando for a hora de passar por um deles, use da mesma tática. Ponha as duas mãos no bolço – use sempre roupa com bolços quando estiver no Rio – faça cara de reflexão e passe, passe, com toda a velocidade do seu andar. Nunca caminhe olhando para o chão. Eles são acintosos e vão com as referidas propagandas em direção as seus olhos. Pode ser perigoso.

Nunca se distráia, é um caminho sem volta. Uma vez distraído é tarde demais para recusar. Quando menos se nota já está em suas mãos e ai a merda vira boné. Nunca se sabe o que acontece com quem pega um dos panfletos e ignora o restante.

Mas uma coisa eu lhe peço. Caso você tenha se distraído, ou até mesmo queira conhecer o assunto do papel em questão. Não vá fazer como 99,9% dos que tomam o mesmo caminho. Não jogue depois o papel no chão da rua. Dessa forama essas pragas que assolam a Cidade Maravilhosa sairão sempre vitoriosas do seu intuito, que é enfeiar o Rio de Janeiro.

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Sorte ou azar?

Ser atropelado por uma ambulância?

Sofrer um seqüestro-relâmpago e não ter dinheiro na conta?