terça-feira, dezembro 20, 2005

Live at Astoria

Num tem jeito. Toda vez que Radiohead lança alguma coisa, minha fissura pelos caras renasce. É sempre assim. É só botar uma novidade na praça, que imediatamente eu compro. Ai vem a secura, além de esgotar a nova aquisição, volto a sugar as coisas antigas e rememorar o passado vendo e ouvindo tudo. É assim a cada disco novo, e parece que vai ser assim também a cada DVD (mesmo que esse seja de coisas antigas, e bote antigo nisso).

Live at Astoria é um show de 94, recém editado em formato DVD. A apresentação é de antes do The Bends, o segundo disco deles, ser lançado, mas já contém algumas músicas do citado.

O show serve para lembrarmos que radiohead nasceu das guitarras. São 17 músicas sem intervalos, na maioria delas com três guitarras rasgando tudo,o tempo todo. Quem é fã vai gostar de qualquer jeito. Quem é daqueles que começaram a gostar da banda a partir do Ok Computer nem cheguem perto. E para aqueles que deixaram de gostar do quinteto de Oxford na era do Kid A, vão correndo para as lojas.

Vale também a pena para quem diz que Radiohead é triste, morto e/ou muito parado. Depois de assistirem ao Live at Astoria, podem até continuar sem gostar de radiohead, mas pelo menos vão sair dizendo que a banda é muito barulhenta, que três guitarras é demais, etc...

É engraçado vê-los novos, mexendo-se em demasia no palco. Thom com cabelos de cunha e oxigenado, no raro tempo em que ele ainda tocava uma SG da Gibson. Colin Greenwood, o baixista, aparece de cabelo grande e Phill, o baterista, ainda tem cabelo. Já Ed e Jonny, além de nos lembrar que são dois puta guitarristas, estão no comecinho de sua coleção por pedais, synths e afins.

É bom ver o Radiohead com energia rocker, deixada de lados nos últimos trabalhos, após experimentações eletrônicas. É bom ver como desde cedo eles dominam o fundamento da melodia como ninguém. É bom lembrar como eles, como poucos, sabem tirar um bom timbre de guitarra. E é bom relembrar de Maquiladora, o destaque do vídeo, um lado b de Radiohead que inexplicavelmente ficou de fora de algum disco. Como eu não canso, vou embora ver e ouvir, live at Astoria, na esperança que no próximo ano, algum produtor se habilite em trazê-los.

terça-feira, dezembro 13, 2005

A "ilógica" econômica

Eu tenho muita dificuldade de abstrair a economia. Para mim é um tema muito complexo, por causa disso. Olhe, que eu já viajei muito em conversas filosóficas, falando do “Eu”, da “Ética” e da “Moral”, mas no fundo são sempre entidades subjetivas e interpretativas. Não é como o dinheiro, seja papel, cheque ou cartão.

Economia para mim é difícil porque é concreto e abstrato ao mesmo tempo. É palpável e virtual. Principalmente quando se tem valores astronômicos em pauta é que a coisa complica. O advento da informática e afins também embolou tudo. Para tentar ilustrar minha dificuldade vou dar um exemplo que acabei de ler e que logo me veio um bocado de besteira à mente.

Na manchete do UOL tinha: “Brasil antecipa pagamento de US$ 15,5 bi ao FMI”. Ai começo a pensar. – Como será que a turma faz para levar esse dinheiro todinho para o Fundo (sem piadinhas)? Será que vai num avião superblindado com um bocado de notas de dólares? Ou será que o presidente do FMI entra no site do Banco Central, vai até a área reservada e clica no ícone: receba o dinheiro da divina externa. Depois que ele clica ai aparece um campo com: coloque seu login e sua senha. Ai ele faz o download de 15,5 bilhões de dólares. Que doideira!

Imaginem ainda, se a senha do presidente do FMI for tipo, one, two, three, four. Mas nem tentem, esse site provavelmente é monitorado. Ainda tem uma coisa mais incompreensível (para mim, claro). Esse dinheiro todo sai, mas num sai do país. Na verdade, ele entra mas num entra no país, uma coisa assim. Vê! É por isso que ser rico é bom, porque na verdade você num tem nada, mas pode tudo.

Se eu ganhasse na Mega-Sena, 15 milhões, eu ia pedir tudinho ao banco. E tudo em nota de cem, que eu nunca vi uma. Ai toda vez que eu fosse sair de noite eu pegava uma cédula de cem conto e botaria na carteira. Ai pararia no posto e pediria um Carlton menta, que custa R$2,80, o carinha da loja de conveniência num ia me vender porque não ia ter troco. Resultado, a noite toda seria arregando cigarro. Partiria para o recife antigo e pararia no Burburinho, no velho esquema cada um paga uma, eu nunca pagaria nenhuma porque não teriam troco. Em suma, passaria a noite bebendo e fumando a custa dos pobres e eu estando rico. Isso é economia. Isso é capitalismo meus amigos.

Mas não precisa acreditar...

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Ao vivo de Leipzig

Hoje acontece o sorteio da Copa do Mundo. Não sei se verei. Se estiver em casa sem nada para fazer, com certeza assistirei, mas ele não vai me impedir de fazer nada mais interessante. Eu até, num desses momentos de ócio, com o jornal do lado, fiz o meu sorteio. O Brasil ficou numa chave boa, com Suíça, Togo e Arábia Saudita. Fácil, né? É até divertido ficar fazendo esses sorteiozinhos em casa. Imaginar todas as hipóteses possíveis. O Brasil pode pegar um grupo com dois europeus, o que pode ser ruim para a seleção, mas bom para mim que vou ver jogos com um maior nível técnico. Imagine, sinceramente, que bosta deve ser Brasil x Trinidad e Tobago. É melhor ir ao CBFnews e ver Ronaldinho Gaúcho tirando sarro com Robinho depois de mais um de seus malabarismos geniais.

Por outro lado, pode acontecer de cairmos numa chave com: Holanda, Sérvia e Montenegro e Japão. Seria uma dureza, com risco de acontecer uma daquelas zebras estrambólicas que só o futebol lhe proporciona e a seleção canarinha, grande favorita, ficar de fora da segunda fase. Muito difícil, mas zebras acontecem e futebol é futebol. Contudo, estando nesse grupo para mim ia ser fudendo. Olhe quanto jogo bom. Você ia ter que ver aqueles milionários transvertidos de boleros suarem os ossos. Expectativa de só jogão. Eu, sinceramente, acredito na amarelinha, acho que ela entra como favorita e leva como favorita, teoricamente só a Argentina pode barrá-la. Como, geralmente eu dou azar é possível, também, que ela se foda, só por que pela primeira vez em anos, eu aponte o Brasil como o campeão da Copa.

Para aqueles descrentes, que crêem ser isso tudo um monte de faz contadas a situação é a seguinte: Como o lucro máximo da Copa será com o cenário de Brasil e Alemanha chegando à final, essas duas seleções devem ficar com grupos fáceis. Costa do Marfim para um, Irã para outro. E assim a final do sonho para a publicidade. Eu quero Brasil e Argentina na final. Será que pode?

Agora, é impressionante ver como, hoje em dia, "as turma" tiram dinheiro de tudo. Até do sorteio dos grupos. Será que antes da Copa de 70 a Globo transmitiu a escolha dos grupos??

Hoje ainda deve ser Galvão Bueno narrando o feito. Que bizarro. Depare-se com a seguinte cena. Galvão e Arnaldo César Coelho acompanhando as bolinhas caírem. Chega a vez de sortearem em que grupo Sérvia e Montenegro vai ficar, já que pelas regras, ela só poderá cair na chave do Brasil, da Argentina ou do México. Joseph Blater, meritíssimo da Fifa, aproxima-se do globo onde cairá a bolinha com um desses três cabeças de chave impressa. Ai Galvão:

- Bem amigos, é agora. O momento decisivo do sorteio. O Brasil poderá ficar num grupo com dois times europeus. Vamos a decisão, Blater se aproxima das bolinhas, passa por uma modelo, duas. Pára do lado da terceira e manda ela girar o globo. Vai Blater, puuuuuuxa a alavanca. Caiu uma bolinha ele se aproxima, aponta para câmera... tá lá... é o nome do Brasil. Arrrrrrnaldo César Coelho, eu senti um cheiro de marmelada, Arnaldo. A bolinha do Brasil num tava mais pesada??

- A regra é clara, Galvão. Toda bolinha deve ter 0,75 gramas. Você pode ver pelo tira-tema que no momento da queda da bolinha a mão de Blater se mexe pouco. O que mostra a leveza da esfera.

- Mas Arnaldo, repare no repley, nesse instante, oh, oh, oh, ai... pode parar PC. Congela pra mim a imagem PC. Repare Arnaldo que a mão do Blater desce um pouco mais do que no sorteio anterior. É óbvio que essa bolinha está mais pesada. Há má fé da Fifa no Sorteio.

- (choromingando) Nããããooo Galvão. Isso é como a gente diz, acidente de trabalho. Note que ele desequilibra um pouquinho na hora de puxar a alavanca, num teve maldade nenhuma.

- Teve sim Arnaldo (tom exaltado) você tá louco.

Pá, Pei, Puff, ooohhhh, piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Entra os comerciais.

Se bem que se fosse assim, num perdia esse sorteio por nada.


Trilha Sonora; Aimee Mann - The Forgotten Arm