Live at Astoria
Num tem jeito. Toda vez que Radiohead lança alguma coisa, minha fissura pelos caras renasce. É sempre assim. É só botar uma novidade na praça, que imediatamente eu compro. Ai vem a secura, além de esgotar a nova aquisição, volto a sugar as coisas antigas e rememorar o passado vendo e ouvindo tudo. É assim a cada disco novo, e parece que vai ser assim também a cada DVD (mesmo que esse seja de coisas antigas, e bote antigo nisso).
Live at Astoria é um show de 94, recém editado em formato DVD. A apresentação é de antes do The Bends, o segundo disco deles, ser lançado, mas já contém algumas músicas do citado.
O show serve para lembrarmos que radiohead nasceu das guitarras. São 17 músicas sem intervalos, na maioria delas com três guitarras rasgando tudo,o tempo todo. Quem é fã vai gostar de qualquer jeito. Quem é daqueles que começaram a gostar da banda a partir do Ok Computer nem cheguem perto. E para aqueles que deixaram de gostar do quinteto de Oxford na era do Kid A, vão correndo para as lojas.
Vale também a pena para quem diz que Radiohead é triste, morto e/ou muito parado. Depois de assistirem ao Live at Astoria, podem até continuar sem gostar de radiohead, mas pelo menos vão sair dizendo que a banda é muito barulhenta, que três guitarras é demais, etc...
É engraçado vê-los novos, mexendo-se em demasia no palco. Thom com cabelos de cunha e oxigenado, no raro tempo em que ele ainda tocava uma SG da Gibson. Colin Greenwood, o baixista, aparece de cabelo grande e Phill, o baterista, ainda tem cabelo. Já Ed e Jonny, além de nos lembrar que são dois puta guitarristas, estão no comecinho de sua coleção por pedais, synths e afins.
É bom ver o Radiohead com energia rocker, deixada de lados nos últimos trabalhos, após experimentações eletrônicas. É bom ver como desde cedo eles dominam o fundamento da melodia como ninguém. É bom lembrar como eles, como poucos, sabem tirar um bom timbre de guitarra. E é bom relembrar de Maquiladora, o destaque do vídeo, um lado b de Radiohead que inexplicavelmente ficou de fora de algum disco. Como eu não canso, vou embora ver e ouvir, live at Astoria, na esperança que no próximo ano, algum produtor se habilite em trazê-los.
