Alguma coisa acontece o tempo todo
Não consigo tirar da minha cabeça que São Palo fede a gás de cozinha. Ando freqüentemente na rua esperando que essa porra exploda. Como naquelas cenas de filme, em que a labareda destampa as bocas de lobos pelas ruas. Posso estar caindo (no gérundio mesmo, para homenagear três atendentes distintas que me irritaram muito hoje por falar assim o tempo todo) no lugar-comum, mas penso que aqui, eu não deveria estar fumando. Aqui, inspirar CO, é tão comum quanto a chuva diária da tarde em Belém do Pará.
Porém, conforme todas as cidades, São Paulo, tem seus particularidades interessantes. A quantidades de botecos (não esses neo-chiques-imitações-baratas-de-antigos-centros-cariocas) paulistas, meio nordestino, meio cosmopolita, é de cair o queixo. O mais impressionane é que todos eles tem padrões idénticos, deixando qualquer frnquia da Mc Donalds com inveja. Ao entrar, logo se vê, laranjas e seus bagaços juntos a um daqueles espremedoes industriais à Engefrio. O balcão metálico, quase sempre está cheio de copos americanos meio preenchidos de café com leite, de uma cor marrom clara. Até mesmo as pessoas parecem ser as mesmas. Aposentados, empresários informais, moto-boys e desocupados. Eu sempre entro neles para comprar cigarro, querendo sempre ficar um pouco mais para ouvir a conversa. Mas, não dura um minuto até que se ouça de alguma boca carregada de "erres" a palavra corinthians. Ai eu perco a vontade e saio. Já percebi aqui que o time do parque São Jorge é fenômeno até maior que a seleção e seus Ronaldos.
Um coisa que eu esperava e que não se confirmou, é a idéia que a cidade não dormia, ou que pelo menos funcionasse até tarde. Nesse ponto, as coisas aqui são como lá.
Todos aqui me perguntam porque escolhi Sampa para férias. Tenho cá minhas razões, mas a cidade é perfeitamente cogitável para tal feito. É bom, claro, munir-se bem antes.
Outra coisa que me atrai nessa megalópole é a sua eficiência. Aqui, não há perca de tempo com entraves, não se pode permitir besteiras. Isso é o centro econômico do país, o maior PIB da nação, tudo deve estar funcionando bem pra que não haja perda. Nesse onda, por bem ou por mal, há um pequeno ganho social. Dois exemplos. A sensação de segurança aqui é muito mais forte do que em Recife. Nos gandes centros, todos andam normalmente, despreocupados e desatentos. Não há guerra de tráfico como no Rio, perto de áreas de grande interesse.
O Segundo exemplo, trata-se de uma paixão particular (e aqui que ninguém me chame de doido). Mas talvez, por vim de uma cidade, onde o transporte coletivo é inexistente, eu sempre fico estupefado e abobalhado com o metrô. Por mais que o daqui não seja como o de Londres ou Paris, as suas poucas linhas funcionam. Metrô é muito foda. Rápido, organizado, fácil. Onde existe isso não há como se perder. Não é preciso ficar perdendo tempo perguntando em que parada passa tal ônibus, ou esse ônibus vai para que lugar? É só olhar o mapinha, direção e sentido e pronto.
Fico imaginando, se eu pudesse pegar a Estação Rose e Silva, trocar de linha na Agamenon e descer na estação Santo Amaro, como seria mais fácil ir para o trabalho. Mas, tem um porém como tudo, metrô (como a rima) não funciona no calor.
Por fim, de todas as músicas que eu gravei para ouvir pelo discman andando por São Paulo, o que eu planejava antes de vim pra cá e já fiz bastante, nada se compara a Nick Cave. O homem de voz cavernosa foi feito para ser escutado num caminhar pela Paulista, olhando-se para cima e tentando enxergar a grandeza de seus edifícios.
