quinta-feira, janeiro 20, 2005

Sábados para crianças

Nos Estados Unidos das décadas de 70 e 80, as crianças esperavam os sábados pela manhã para divertissem com os desenhos e seriados infantis. Diferente do que acontecia aqui no Brasil, principalmente nos anos 80, quando reinaram os programas matinais apresentados por galegas. Os americanosinhos que cresceram nesse período, assistiam aos Flistones, Jetsons, Scooby Doo, entre os outros não muito conhecidos por aqui, apenas aos sábados e não só embarcavam na fantasia que aqueles desenhos lhes proporcionavam, como também viajavam no som. E o som era pop, que entrava na adolescência, e aproveitava as novas culturas de massas para se firmar.

Em 1996, Ralph Sall, que trabalha como produtor musical para grandes filmes de Hoollywood, resolveu juntar alguns artistas do cenário alternativo americano, e gravar um disco que é uma verdadeira pérola. Saturday Morning: cartoons greatest hits contém 19 músicas, temas de grandes desenhos e seriados infantis. E artistas que vão dos desconhecidos Dig, Toadies, Wax, por sinal responsáveis pelos melhores momentos do disco, aos supracitados Ramones.

O disco é indefctivelmente bem produzido, alto, potente e com versões bastante inusitadas. As simples canções, feitas para ilustrar personagens e chamar a garotada para TV, viraram rock, balada, heavy metal, rockbilly, reagge e dub. Muitas músicas, para nós brasileiros, são desconhecidas, por terem sido de atrações não exibidas aqui. Outras, aos primeiros ruídos, puxamos do mais fundo canto da memória o sabor de nostalgia e as recordações vem à tona. A vontade que dá e de novamente, virar criança e sair pulando pela sala, como fazíamos quando éramos crianças.

O exemplo disso é o grupo de punk Face to Face quebrando tudo com I´m Popeye the Saloir Man, com direito até a fu, fu de cachimbo. Os também punks Ramones, transformam o tema de Homem-Aranha uma música autoral. Com inseparável one, two, trhee, four característicos, os nova-iorquinos parecem ter composto a música.

Saturday Morning é um disco completo em estilos e idéias obrigatório para quem foi ou é fã de desenhos animados e afins. Os brasileiros tentaram fazer algo parecido com o disco Superfantástico (quando eu era pequeno...), porém o resultado foi muito aquém do merecido pelas próprias músicas. Nossa nostalgia infantil merecia no mínimo, uma convocação de artistas mais qualificada. Fiquemos então com a versão americana, esperando que algum dia acertemos por aqui.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Memórias dos Cárceres

Cinco músicas que quando eu escuto me lembram qualquer período da minha vida entre os três (idade das minhas primeiras lembranças) e os oito anos. Lembro, inclusive das capas dos vinis do meu pai, que continham as seguintes musícas:

1 - Banho de Cheiro com Elba Ramalho
2 - Vai Passar com Chico Buarque
3 - Festa no Interior com Moraes Moreira
4 - Meia Lua Inteira com Caetano Veloso
5 - Qualquer uma do Baile do Menino Deus


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Em Tempo:

Festa do "Eu Acho É Pouco" deveria ter um selo de advertência do Ministério da Saúde, tipo:

- O Ministério da Saúde adverte, Eu Acho É Pouco pode causar alopração e "ensandecimento"-

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O Jornal Hoje de ontem tróuxe uma matéria sobre o provão da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) realizado neste último domingo. No texto da repórter, ela falava que o Direito era a única profissão do país a ter esse tipo de exame para poder exercer a profissão. Foi quando meus botões, vivos como eles só, me alertaram. - Imagine se isso acontecesse com os jornalistas, a chiadeira que ia ser.

Se durante a sugestão de um Conselho de Jornalismo já falaram em censura e vigília da profissão imaginem uma prova, para poder se trabalhar com imprensa. Nem pensar!! Quantos donos de jornais não iam poder botar seus estagiáriozinhos nas ruas. É bem verdade, que o isso já não é permitido pelo Sindicato. Ah sim, jornalistas têm um sindicato. Não. Não funciona, nem serve para nada.

Jornalista é uma raça engrassada, quase uma síntese do Homem. Digo quase, porque se eu falar que é uma síntese eles vão ficar mais convencidos ainda. É a única "raça" que mete o bedelho em todos os assuntos, muitas vezes SEM autoridade, mas não quer ouvir pitaco de seu ninguém. Contraditório???


terça-feira, janeiro 11, 2005

Mal Educado

Assim continua sendo adjetivado Pedro Almodóvar para os moralistas e puristas de plantão. Sempre preparado para chocar, mexer com o "estranho" e o incomum, o cineasta espanhol segue sim, é sabendo muito bem o que faz. Má Educação não é, de maneira nenhuma, o melhor filme dele, ficando, ainda, muito atrás de Tudo Sobre Minha Mãe. Mas, segue a mesma linha dos filmes anteriores e como os outros merece o tempo gasto.

Mexendo com o bizarro, mostrando o que já está há muito entre nós e que pouca gente vê. Homossexualismo, pedofilia, prostituição, drogas, críticas ferrenhas à Igreja Católica, autobiografia, tem de tudo um pouco nesse seu último filme, esquivando-se, mesmo assim de polêmicas.

Almodóvar tem se mostrado um grande cineasta por conseguir fazer uma coisa bastante difícil em qualquer campo artístico. Criar uma identidade própria sem se tornar cansativo e repetitivo. Vejamos. Plasticamente seus filmes são muito parecidos, cores, locações, personagens. Criando uma unidade capaz até de confundir o público com uma sensação de Deja Vù. Os temas são praticamente os mesmos, como já citados. O grande talento dele vem justamente, do modo de amarrar a narrativa e da carga psicológica que ele oferece a seus personagens. Suas histórias conseguem prender o espectador, que por mais agoniado na cadeira que esteja, querem logo saber onde tudo aquilo vai dar.

Male Educacion é daqueles filmes de olharmos para os rostos das pessoas na saída do cinema, caçando a reação das pessoas. Algumas já saem tecendo seus comentários, outras saem com sorriso no rosto, outras ficam com aquela cara enrugada de interrogações. Mas que depois de 15 minutos são dadas as opiniões definitivas.

O filme também deixa a impressão, que de toda a sua filmografia, é o com maior retrato pessoal. Enrique, que faz papel de um cineasta no filme, é cheio de pitadas do seu autor. Como no diálogo dele com Ignacio, ainda crianças, sobre religião:

"Joy soy hendonista", diz Enrique para Ignacio. Citando a crença na "diversão" ao invés de Deus. Outro momento que se pode ver Almodóvar quase protagonizando o filme, é na destinação final dos personagens, quando as legendas dizem: "Enrique continuou fazendo filmes com a mesma paixão".

Em resumo, é isso o que Pedro Almodóvar é e é isso que os seus filmes são, apaixonantes. Alguns mais que outros.