segunda-feira, julho 31, 2006

Eita frio

As últimas das últimas

Em tempo. Com toda essa chuva de bombas caindo sobre as cabeças de libaneses e israelenses, vale a pena assistir ao filme Paradise Now. Ele já deve estar nas melhores locadoras. Trata-se de um dia na vida de dois homens (muçulmanos) que foram destinados “por Deus” a uma missão suicida. No decorrer do filme, todas as teorias sobre o certo e o errado. Sobre a validade ou não de ser um homem-bomba. Dar-se ou não continuidade a essa batalha-sangrenta-religiosa-política-econômica que já se alastra há séculos são discutidas

Depois de assistir à película, a impressão que se fica é que, tirando um professor de história especializado no assunto, ninguém mais sabe por quê da briga. Quando começou? E principalmente, quem começou? São perguntas que surgem.

Há muito tempo essa história carece de razão. E enquanto ninguém pára para pensar a respeito, vidas vão se estilhaçando.

A recente investida de Israel, por exemplo, até onde sei, começou após o seqüestro de dois soldados israelense pelo Hezbollah (??). Desconsidere o fato de ninguém acreditar que dois soldadinhos de chumbo, é motivo suficiente para sair por ai estourando cabeças alheias (pois há todo tipo de nacionalidade, onde explodem os mísseis judaicos). Lembre-se que depois de três semanas de intensos bombardeiros esses ‘heróis israelenses’ já morreram como retaliação libanesa. E é aqui que se incide a questão inicial dessa modesta reflexão. A maneira como os fatos se sucedem faz parecer que as tropas israelenses já não sabem por quê atiram.

Acho que se você perguntar a um daqueles milicos do baixo escalão do exército israelense, que estão lá, todo dia, dentro daqueles tanques:

- Ei porque atiras nos libaneses?
- Ordens.
- De quem?
- Do priemeiro-ministro.
- E qual o motivo que ele alega?

Bum!!! Nessa hora você é atingido por uma bela bala de canhão.

Não quero saber, nem estou discutindo, certos ou errados, para não aparecerem árabes e judeus querendo me matar aqui. Só acho que há muito parou-se de pensar em por um verdadeiro fim da questão. Ou seja, há gente ganhando com isso. Quem? Não sei. Não sou eu, nem são os pobres que estão dormindo em bunkers. Mas, que todos os motivos e argumentos apresentados nos últimos tempos são chulos disso não se pairam dúvidas.


E nosso capitão chega ao comando da seleção. Não vou opinar como os milhões de gatos-mestres do SporTV sobre seu futuro desempenho. Como ele nunca treinou nada é impossível saber. Apesar de ser da tese de que não é preciso ser o maior expert para treinar a seleção brasileira, que só tem craque. Difícil é treinar Honduras.

Sobre a escolha de Dunga só acho uma coisa: panela é a panela e ninguém mexe. Se os supracitados Luxa, Felipão, Leão ou Autuori não foram anunciados foi porque ou não aceitaram ou não quiseram dividir o bolo com Seu Texeira. Ai coloca um mamulengo na velha estirpe Gagalo-Parreira-Roberto Carlos-Cafu...

Pode ser que funcione, espero, mas para quebrar essa panela... haja queda.


O FRAmengo já foi, que o CUrintias também e mais três pontinhos com o Arruda lotado. Tremei Raposa

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Atrasou-se, mas veio. E chegou botando quente, ou melhor, frio. Eita frente fria, fria da porra.

terça-feira, julho 18, 2006

Por que é made, made, made

Se por acaso algum dia você entrar no meio de um show de Tom Zé e a platéia estiver vaiando com todas as forças, não se preocupe. Aliás, entre correndo. É sinal que o show tá bom. Provavelmente o 'velhinho' de quase 70 anos estará mandando Bush para aquele canto e pedindo a ajuda do público. Ou então mandando os machos à merda.

Pensei que só em Recife, esse baiano de Irará fosse ovacionado após o mais simples gesto. Mas não sei se a aura carioca, como suspeito, é muito parecida com a recifense, no Rio a mesma coisa, se não pior, é presenciada. Nos mesmo moldes, 10 minutos de palmas pós-show. Cometer a gafe de agradecer a presença de todos no "Disco Voador" e ser aplaudido por isso, afinal é o colapso dá idade. Mas tudo isso se justifica. Pois seja em Recife ou no Rio, o Homem continua arrebentando.

O mais engraçado no show de Tom Zé, além do próprio, é procurar na meio da galera, seus conteporâneos, e ver na cara deles, que de toda a geração Tropicalista, Tom Zé é o único que continua com o certo sarcasmo outrora existente no movimento.

E o que dizer quando vemos uma adolescente de seus 18/19 anos subir no palco e ele dizer: "ô amiga sai daí que a gente vai cuspir", gerando um gargalhada geral dos presentes e aumentando a sua simpatia perante o público. Ah... e ele cuspiu mesmo. Fazia parte da encenação da próxima música. Faz parte do show. Tom Zé é um dos poucos artistas que conseguem fazer uma coisa conceitual não ficar chata. Deve ser a delicadeza da idade, mas não precisa acreditar...

sexta-feira, julho 14, 2006

As aventuras de um Galego no Pancadão

Às duas da manhã, o DJ interrompe um série de clipes com os maiores astros da R&B americana no telão e anuncia que o baile vai começar. A parede de auto-falantes em frente à entrada, dispara uma quantidade enorme de decibéis. O som é ensurdecedor e muito alto, focado nas freqüências graves.

Ao lado da mesa do DJ, dou uma espiada no equalizador e a regulagem é literalmente um flat com todos os knobs para baixo. A sobra de graves na pista provoca aquela coçeira incômoda da cabeça aos pés.

O DJ Fábio continua a berrar. “Vai começar o melhor baile do país”. Disparando a gravação na seqüência – Ca, Ca, Ca, Castelo em Chamas. A pista já está tomada de popozudos e popozudas. Da parede, são disparados pequenos foguetes, que ao fim desencadeia uma cascata de faiscas.

O baile começou. Eu, nordestino, classe média, branquinho e cheio de preconceitos fico reprando aquilo tudo, tentando achar explicações sociológicas, antropológicas, psicológicas, caralhógicas que fossem, enquanto todo o resto do baile só pensa em, parodiando o funk, dançar, dançar, dançar. Beijar, beijar, beijar.

Bom chamo Marcelo e vou buscar minha Cristal por R$ 1,00, até porque este foi um dos motivos mais fortes usados por ele para me convencer a pegar três conduções e ir ao um baile funk em Rio dos Pedras, favela plana, localizada em algum ponto entre a Barra e Jacarepaguá. Onde, nos dias de hoje, se encontra cerveja por esse preço? Nem mais no carnaval de Olinda. Na fila do tiquete da birita, reparo que a moda predominante é calça coloda, ressaltando o popó, e top (é assim??) para as mulheres e calça comprida e camiseta para os homens.

Pelo que pude notar, as pessoas assíduas dali tem dois comportamentos básicos, isso tanto os tigrões, quanto as tigronas, em sua maioria, obóvio. Ou estão ali para encontrar um parceiro(a), ou para simplesmente dançar. Na verdade, não sei se é exatamente assim. Mas pensar desta forma ajudou a me tranqüilizar. Também não vi qualquer princípio de confusão.

O Castelo das Pedras deve ter uma capacidade para umas duas mil pessoas no aperto. É basicamente um galpão onde da entrada se vê a parede de falantes. A esquerda fica o caixa, o balcão das cervejas e o banheiro. Há também um segundo andar que é o camarote vip. Para assistir ao baile de lá é só acrescentar R$ 4,00 ao valor da entrada, que é de R$ 5,00, para homens, mulher não paga até meia-noite, e ficar num posição privilegiada, vendo a massa uniforme dançando. Infelizmente, não tive o privilégio de experimentar tal vista.

Junto às pessoas ‘não importantes’, fiquei encurralado entre um bebado que precisou queimar três filtros para conseguir acender seu cigarro e um grupo de dançarinas à Denny Oliveira que sabiam cantar todas as letras e, não diferente, executar todas as coreografias. O teor literal do baile era de “Essa japonesa chama-se Takomkunavara, Takomkunavara” para “Tão novinha, Tão novinha para abrir a xerequinha”. Os clássicos do Bonde do Tigrão também não podem faltar. O dia era simples. Não havia nenhuma grande atração. Havia sim, faixas anunciando a volta do MC Marcinho no próximo dia 14 (soube mais tarde que ele sofreu um acidente, ou algo do tipo).

Depois de perceber que estava sendo um tanto pedante minha atitude de analisar tudo e todos daquele lugar, e depois da terceira Cristal, comecei a rir com a tentativa engajada de meus companheiros de se soltar no lugar e até arrisquei uns passos junto a eles. Leo Negão, nosso cicerone, já sabia até as coreografias mais difíceis e fazia com uma desenvoltura...

Na saída, descobrimos que não era preciso termos pego toda aquela quantidade de conduções até lá. A volta foi mais simples e mais tranquila. Uma van até a Gávia e um táxis até Laranjeiras, o momento da noite mais caro aliás. Exausto e acabado fui dormir pensando como aquelas pessoas se divertiam fácil. Eu confesso que a tensão do desconhecido só me deixou depois que eu deite na cama.

Soube depois que o Castelo em Chamas é um baile funk produzido pelos policiais, que dominam Rio das Pedras. Segundo consta, é a única favela do Rio sem tráfico de drogas, justamente por ser controlada por policiais, que cobram dos moradores uma taxa de segurança, mas isso é outro assunto. Verdade ou mentira eu não sei. Mas que em toda a noite não tocou os funks proibidões, isso realmente não aconteceu. Nem qualquer princípio de incidente grave foi detectado.

Ou seja, talvez eu ainda não tenha ido a um Baile Funk de verdade. Outro ‘broder’ carioca fez o convite para ir ao baile do morro do Salgueiro e ver uma festa funk carioca de verdade. Será? Ir ou não Ir? Eis a questão.

As aventuras de um Galego no Pancadão

Às duas da manhã, o DJ interrompe um série de clipes com os maiores astros da R&B americana no telão e anuncia que o baile vai começar. A parede de auto-falantes em frente à entrada, dispara uma quantidade enorme de decibéis. O som é ensurdecedor e muito alto, focado nas freqüências graves.

Ao lado da mesa do DJ, dou uma espiada no equalizador e a regulagem é literalmente um flat com todos os knobs para baixo. A sobra de graves na pista provoca aquela coçeira incômoda da cabeça aos pés.

O DJ Fábio continua a berrar. “Vai começar o melhor baile do país”. Disparando a gravação na seqüência – Ca, Ca, Ca, Castelo em Chamas. A pista já está tomada de popozudos e popozudas. Da parede, são disparados pequenos foguetes, que ao fim desencadeia uma cascata de faiscas.

O baile começou. Eu, nordestino, classe média, branquinho e cheio de preconceitos fico reprando aquilo tudo, tentando achar explicações sociológicas, antropológicas, psicológicas, caralhógicas que fossem, enquanto todo o resto do baile só pensa em, parodiando o funk, dançar, dançar, dançar. Beijar, beijar, beijar.

Bom chamo Marcelo e vou buscar minha Cristal por R$ 1,00, até porque este foi um dos motivos mais fortes usados por ele para me convencer a pegar três conduções e ir ao um baile funk em Rio dos Pedras, favela plana, localizada em algum ponto entre a Barra e Jacarepaguá. Onde, nos dias de hoje, se encontra cerveja por esse preço? Nem mais no carnaval de Olinda. Na fila do tiquete da birita, reparo que a moda predominante é calça coloda, ressaltando o popó, e top (é assim??) para as mulheres e calça comprida e camiseta para os homens.

Pelo que pude notar, as pessoas assíduas dali tem dois comportamentos básicos, isso tanto os tigrões, quanto as tigronas, em sua maioria, obóvio. Ou estão ali para encontrar um parceiro(a), ou para simplesmente dançar. Na verdade, não sei se é exatamente assim. Mas pensar desta forma ajudou a me tranqüilizar. Também não vi qualquer princípio de confusão.

O Castelo das Pedras deve ter uma capacidade para umas duas mil pessoas no aperto. É basicamente um galpão onde da entrada se vê a parede de falantes. A esquerda fica o caixa, o balcão das cervejas e o banheiro. Há também um segundo andar que é o camarote vip. Para assistir ao baile de lá é só acrescentar R$ 4,00 ao valor da entrada, que é de R$ 5,00, para homens, mulher não paga até meia-noite, e ficar num posição privilegiada, vendo a massa uniforme dançando. Infelizmente, não tive o privilégio de experimentar tal vista.

Junto às pessoas ‘não importantes’, fiquei encurralado entre um bebado que precisou queimar três filtros para conseguir acender seu cigarro e um grupo de dançarinas à Denny Oliveira que sabiam cantar todas as letras e, não diferente, executar todas as coreografias. O teor literal do baile era de “Essa japonesa chama-se Takomkunavara, Takomkunavara” para “Tão novinha, Tão novinha para abrir a xerequinha”. Os clássicos do Bonde do Tigrão também não podem faltar. O dia era simples. Não havia nenhuma grande atração. Havia sim, faixas anunciando a volta do MC Marcinho no próximo dia 14 (soube mais tarde que ele sofreu um acidente, ou algo do tipo).

Depois de perceber que estava sendo um tanto pedante minha atitude de analisar tudo e todos daquele lugar, e depois da terceira Cristal, comecei a rir com a tentativa engajada de meus companheiros de se soltar no lugar e até arrisquei uns passos junto a eles. Leo Negão, nosso cicerone, já sabia até as coreografias mais difíceis e fazia com uma desenvoltura...

Na saída, descobrimos que não era preciso termos pego toda aquela quantidade de conduções até lá. A volta foi mais simples e mais tranquila. Uma van até a Gávia e um táxis até Laranjeiras, o momento da noite mais caro aliás. Exausto e acabado fui dormir pensando como aquelas pessoas se divertiam fácil. Eu confesso que a tensão do desconhecido só me deixou depois que eu deite na cama.

Soube depois que o Castelo em Chamas é um baile funk produzido pelos policiais, que dominam Rio das Pedras. Segundo consta, é a única favela do Rio sem tráfico de drogas, justamente por ser controlada por policiais, que cobram dos moradores uma taxa de segurança, mas isso é outro assunto. Verdade ou mentira eu não sei. Mas que em toda a noite não tocou os funks proibidões, isso realmente não aconteceu. Nem qualquer princípio de incidente grave foi detectado.

Ou seja, talvez eu ainda não tenha ido a um Baile Funk de verdade. Outro ‘broder’ carioca fez o convite para ir ao baile do morro do Salgueiro e ver uma festa funk carioca de verdade. Será? Ir ou não Ir? Eis a questão.