V.A. Total
Para quem não sabe, a sigla V.A. quer dizer Vergonha Alheia. Temos V.A naquelas situações em que não fazemos parte, nem sequer conhecemos as pessoas, mas ficamos rubros por elas. O exemplo mais comum de VA´s são aqueles pobres seres que vão a programas de auditórios tentar aparecer um pouquinho e ai fazem merda, falam merda, são zombados em rede nacional e nem notam.
Pois bem, hoje já acordei com um sentimento de VA total, completo e integral. De um jeito que quase não me deu coragem de levantar da cama. A primeira notícia do dia 15 de fevereiro para mim, foi a informação do novo presidente da Câmara Federal. Nosso ilustríssimo conterrâneo Severino Cavalcanti.
Fui me atentando para isso e batendo, ao mesmo tempo, todas as VA´s possíveis.A vergonha de ser conterrâneo de uma alma dessa. A vergonha de ter ele como representante do povo. Vergonha pelo povo, que no mínimo a 20 anos coloca uma espécie daquelas no congresso. Vergonha pelos deputados que não fazem mais política e há muito deixaram de entender o sentido da palavra. Vergonha da imprensa, que não enxerga ou é conivente com a gravidade do problema. Vergonha do PT que de principal mola propulsora para o crescimento do país, virou um monstrengo acéfalo, incapaz de conseguir juntar a própria base partidária. Vergonha dos ricos, que continuam gastando marés de dinheiro para manter os próprios benefícios e não vêem que estão cavando a própria catacumba. E vergonha de ser brasileiro, que ao invés de se preocupar com os rumos do país, estão apostando em quanto tempo vai durar o casamento do fenômeno, ou com quantos milhões de votos será eliminado o próximo participante da casa.
Mas, não vamos deixa de parabenizar os deputados. Afinal, depois de tanto tempo eles vão ter o “salário” que merecem. E é isso mesmo. A presidência da casa é o reflexo dos seus integrantes. Assim como o próprio Congresso, é o reflexo do seu país. Um país mutante e sem rumo, inexplicável e incompreensível.
A vontade que me dá é de ser um sonhador à Bertollucci e voltar a maio de 68, numa primavera onde as pessoas não tinha vergonha, nem medo, de nada...

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