terça-feira, novembro 16, 2004

Cloreto de Sódio, H2O, areia e raios ultravioleta

Praia é realmente um lugar único. Lógico que há praias e praias. Eu, particulamente, gosto de uma praia deserta, vazia, sem uma alma penada. Onde o barulho do mar seja o único som escutado. Nessas condições, faça chuva ou sol eu estarei curtindo uma boa praia. Outro fator que aumenta a cotação de uma praia é a casa e a companhia claro (e também a quantidade e variedade de bebidas alcoólicas). Mas, isso não vai entrar na classificação porque nessas condições até´o Afeganistão fica legal.

Quem me conhece, pode até pensar que eu não tenho toda essa adoração por praia devido a cor da minha cutis. Mas a verdade é que é um dos lugares que mais me relaxa. O sol é que eu não aguento, porém sua luz refletida na água, em pleno horário das 10h é um espetáculo e tanto. Da areia da praia, sob um banho de Sundown e um guarda-sol, consigo ver os vários desenhos e texturas surgidos sobre a superfície de água salina. O som do mar, o barulho das ondas quebrando também é outra coisa que me hipinotiza. Talvez seja a música mas bem feita da natureza. Queria um dia consegui fazer algo parecido.

Gosto de no fim da tarde, quando o sol já perdeu sua energia, de sentar na beira do mar. Normalmente, o vento, essa hora, está mais forte e o cheiro do sal perfuma tudo em volta. Olho para o céu e fico procurando desenho nas nuvens. Nessa busca, vejo aos poucos as nuvens mergulharem nas águas oceânicas e forço a vista para tentar enxegar o máximo além do horizonte.

Tamandaré, apesar de sempre ter muita gente em épocas como essas, é uma praia que eu tenho uma relação muito particular. O mar sempre foi um dos que mais me encantou. O banho então nem se fala. Já vivi grandes momentos lá. E quando há pouca gente, beira o paraíso. Creio que como muitas outras praias do litoral pernambucano daqui a uma década mais ou menos, terá sofrido grandes estragos e perdido muito de suas belezas. Nesse feriadão fui para lá, e vi ruas pavimentadas, isso é um dos primeiros sinais da devastação, vide Porto.

Temo daqui a 20, 30 anos querer passar para os meus filhos, essas pequenas sensações e não ter como. Vou precisar usar todo poder de discrição para que eles possam chegar perto de uma sensação que muitas vezes me acalmou quando jovem.