quarta-feira, setembro 07, 2005

De quem é esse lugar?

Comemorar a independência. Há 25 anos, todo sete de setembro, eu para, nada faço. Gosto mesmo, e como deve ser o caso de 99,9% dos meus conterrâneos, é do feriado. Poderia D. Pedro I imaginar, que nas margens do rio Ipiranga, aquele seu ato, seria festejado 183 anos depois, apenas por ser um dia a menos de trabalho no mês? O que acontece no país, aonde o patriotismo vem de maneiras tão díspares? Ou será que nosso povo não conhece a flâmula do orgulho nacional?

Taí, orgulho nacional, a própria expressão, muitas vezes, já é proferida em tom de chacota. Grandes literários da nação foram fundos nessa questão de nacionalismo e podem até ter contribuído um pouco sobre a imagem caricaturesca do homem-nacional. Policarpo Quaresma é o primeiro a chegar na lembrança. A construção da imagem de um povo que pertecem a um país, sem esse pertencer a eles.

Talvez o verdadeiro motivo de não se ter, no Brasil, um grande affair pelo dia em que comemoramos nossa independência, é o fato do povo não ter sido meio para tal. Alias, nesse país poucas coisas da vida social, a grande massa sente-se realmente incluída. Nesse momento, cabe a velha analogia com o esporte. Muito se diz, que brasileiro só é patriota com a Seleção Brasileira e com atletas olímpicos. Pode ser.

Mas o que podemos, de fato, enxergar dessas afirmações? Que são áreas de atuação, onde o pobre, o médio e o rico têm, realmente, as mesmas condições de desenvolvimento. No esporte, só a força, a vontade, a prática, o dom natural, podem levar qualquer um, a patamares superiores de reconhecimento. Quando isso acontece por meio de quem teve uma origem humilde, os outros 83% de desfavorecidos da nação conseguem achar um identificação.

Nesse sentido, o descrédito da política corre em sentido inverso. A desilusão na vida pública nacional é gerada, porque durante séculos, as elites dominantes conseguiram, manter o povo longe dela. Seja na participação, seja na compreensão política. No Brasil, político é quase uma dádiva, não adianta mexer com eles. Eles escapam. Fazem o que querem. Mandam. Parece vontade divina. Infelizmente, esse é o pensamento do brasileiro em geral. E na oportunidade que tivemos para destruir essa idéia, os fatos, a precipitação, amarraram um laço em nós, deixando nossa mobilidade por tais vias praticamente impossível.

E é justamente isso que querem os velhos dominadores. Os antigos Severinos, ACMs, Jerffesons. Que continuemos encoleirados, achando que o 7 de setembro é apenas um dia a menos de trabalho do ano. Querem nos fazer esquecer que esse país é nosso de direito. Será que eles conseguem? Depende de nós, continuo a achar isso. As fronteiras são maiores, a língua é maior, a cultura é maior do que uma simples empunhadura que fez pouca coisa mudar há 183 anos.